A nossa maneira de lidar com os movimentos do corpo é um reflexo de tudo o que vamos adquirindo no decorrer da vida. Desta forma, a maneira como me visto é bem exemplo disso, pois sou bem básica, raramente coloco roupas com decotes ou que me deixam muito exposta e acho que isso é influência da criação autoritária da minha mãe que insistia em escolher as roupas que eu usava mesmo depois que entrei na adolescência. Naquela época não era como hoje que a moda faz a cabeça de mãe e filha através da mídia ou, se era, eu não percebia porque mãe falava, filhos obedeciam (pelo menos na minha casa era assim). Mas, de algum modo, acho que isso foi bom, porque acho que consumismo exagerado faz mais mal do que bem.
Mesmo assim, nesses meus quarenta anos existência, não fiquei totalmente imune a influência da sociedade. Nos anos 80, mesmo que minha mãe não fosse adepta a seguir tendências, sempre tinha os tios, a madrinha que me davam alguma roupa new wave (roupas coloridas em tons verde, amarelo e laranja) que vire e mexe retorna a moda com outros nomes.
Em relação a música (nisso sim fui bastante influenciável), como a grande maioria das meninas da época, fui fã (fanática mesmo) do grupo Menudo e como ser indiferente ao som de "Não se reprima", mas também gostava do rock do Legião Urbana, Capital Inicial, Paralamas do Sucesso, RPM e demais bandas ótimas que fazem sucesso até hoje.
Depois que minha mãe morreu (quando eu tinha 15 anos), meu pai acabou sendo mais flexível e aí eu mesma já podia escolher minhas roupas que iam de jeans rasgado a botas estilo coturnos. Na época era chamada de punk, depois gótico e nem sei o nome que tem agora, mas, ainda hoje, se eu pudesse, só andava de roupa preta (emagrece).
Hoje, com as músicas fiquei um pouco mais eclética, mas a região onde moro, o forte são as músicas chicletes que estouram e fazem sucesso de tanto tocar, mas, definitivamente, não é meu estilo, mas sou obrigada ouvir porque as janelas fechadas não impedem que o o som vindo das casas e carros dos vizinhos cheguem até os meus ouvidos.
Confesso que ainda entro em choque quando eu vejo crianças pequenas, ainda um projeto de gente, dançando funk, rebolando até o chão, mas tento me lembrar que é escondido da minha mãe, eu ficava imitando a Gretchen.
Enfim, não somos seres isolados, gostando ou não de um estilo de moda, música, gostos, de uma maneira ou outra, ele sempre chega até nós e temos que conviver com elas porque faz parte da nossa cultura.
Apesar da minha descendência espanhola, eu até poderia ser italiana, pois, adoro falar. Muitas vezes falo um pouco alto e gesticulando. Normalmente, me policio e tento me conter em certos lugares mas, as vezes, "escapa" o meu jeito espontâneo e sou criticada, reprimida por alguém. Isso é extremamente irritante, embora, as vezes, se faça necessário, mas é um daqueles momentos em que percebo, claramente que, por mais que queremos ser independentes e termos a liberdade de sermos nós mesmos, não podemos totalmente.

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