Sempre gostei de ler...
Sou daquelas pessoas que lê bula de remédio, rótulo de shampoo e por aí vai.
Por causa da faculdade tudo o que eu estava lendo tinha haver com alguma das matérias e agora, por causa da minhas férias forçadas do trabalho e da faculdade, escolhi para ler algo que não tenha nada, absolutamente nada com matéria de História. Pelos menos era isso o que eu achava.
Escolhi o livro "Comer, rezar e amar" de Elizaberh Gilbert. Assisti o filme já faz algum tempo e gostei muito, mas o livro é muito melhor. Me identifiquei com um comentário que ela faz no livro: "Os americanos trabalham mais, durante mais horas e em situações mais estressantes do que qualquer outro povo no mundo hoje em dia". Bom, não sou americana, mas pensei nos paulistas e me identifiquei com a parte do "estressante", mas no meu caso esse termo sempre esteve mais intimamente ligado ao ir e vir do trabalho, do que propriamente, trabalhar. Morro de saudade quando eu morava perto do trabalho e ia a pé rs.
E por causa dessa trajetória massacrante, devido as condições precárias dos nossos meios de transportes, nas minhas folgas adoro ficar em casa e, quando posso, arrumo desculpas para não sair só para não ter que pegar metrô e ônibus e aí foi que me identifiquei com outro trecho do livro: "... e em seguida ficamos exaustos e precisamos passar o fim de semana inteiro de pijama, comendo cereal direto da caixa e olhando fixamente para a televisão em um estado próximo ao coma (o que é o contrário de trabalhar, sim, mas não é sinônimo de prazer). Os americanos não sabem muito bem como não fazer nada. Essa é a causa daquele grande e triste estereótipo americano - o executivo super estressado que sai de férias, mas não consegue relaxar." Mais para frente, ela fala do sentimento de culpa: "Será que eu realmente mereço este prazer?"
Tirando a parte do executivo, parece que esse texto foi escrito para mim. Definitivamente, eu não consigo relaxar. Nas minhas folgas tem sempre um monte de coisas para fazer em casa e se eu faço não descanso como gostaria e, se não faço, me culpo porque eu deveria fazer. Imagino que isso aconteça com um monte de pessoas, com certeza. Mas por que tem que ser assim?
Segundo Elizabeth Gilbert, os italianos não tem o menor problema em relaxar. Eles tem uma expressão ótima para definir isso "bel far niente¨ que significa "a beleza de não fazer nada". Na cultura italiana as pessoas sabem que têm o direito de aproveitar a vida. Então nesse caso, cada um deve saber como quer aproveitar a vida sem se preocupar com o que os outros vão pensar.
Lendo isso, percebi que eu, talvez, me preocupo mais com que os outros pensam do que eu gosto de pensar que não estou nem aí. Então a partir de agora, vou me dar o direito de fazer mais o que eu gosto sem sentir culpa, sem me preocupar com a opinião dos outros e agradar mais a mim mesma.
A vida vive me pregando peças e insistindo em querer impôr a sua vontade. Confesso que em muitas vezes, para não dizer na maioria, essas mudanças foram necessárias para o meu amadurecimento. Mas, o que me incomoda, realmente, é que essas mudanças são repentinas, bruscas e causam muito sofrimento. Mas, passa... como tudo na vida... passa.
Então porque mesmo sabendo de tudo isso, eu sempre faço um drama nesse momento de transição? A resposta é tão obvia: eu sou dramática kkk. Mas isso também pode mudar e como são tão poucas as decisões que tomo, EU DECIDO que vou deixar de sofrer além do necessário por todas as mudanças contrárias as minhas decisões.
Não será uma mudança simples e do dia para a noite, mas o primeiro passo é deixar de sofrer por antecipação. E se isso é minha decisão, é só eu me esforçar, que vou consegui. Afinal, eu SOU A PROTAGONISTA DA MINHA VIDA.